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Download do Álbum

 

Agenda de Shows 

Temporada Projeto da Mata canta Zumbi

* 06 de setembro - São Sebastião / SP (Boiçucanga)
* 08 de outubro - Boutique Vintage Brechó e Bar / SP
* 17 de outubro - Ideário / SP
* 12 de novembro - Audio Rebel / RJ
* 15 de novembro - Resende / RJ

 

 

Resenha do Álbum

Pra dançar não precisa respirar. Nem pra viver.*

 

Prólogo

Em 2010 estava num inferninho de SP pra ver o Projeto da Mata tocar, havia tempos não ouvia os "doutorados" botarem pra fudê o suador com a pegada dançante dos sambas de Chico aos carimbós do norte do país, pista lotada e a galera quebrando se exaure e desmancha.

Dali pra frente minha expectativa sobre a banda mudou drasticamente.

Vi ali uma banda muito mais completa e afiada do que nos seus anos de Litoral Norte, sediados em Boiçucanga. O vocalista, Michel de Moura, me vê na platéia e grita "Ele é de Boiçucanga, aquela praia de nudismo", uma pequena amostra de quão descontraído e solto estavam ali. Estavam prontos, banda e show ali redondos e matadores. Mas nada me preparou pro que vinha.

 
O Álbum "Canções para enfrentar Tormentas, Tempestades e Garoa"


 
"Canções para enfrentar Tormentas, Tempestades e Garoa" é uma sequência de petardos que ressoam desde a primeira olhada de relance. Aquele olhar distraído da capital distraída que exige um temperamento punk de concentração e atenção pra não ser expulso. Mas não se engane, a capital é uma centrífuga poderosa. E nisso os petardos são certeiros. "Canções..." revela algo de forma brutal: dançar é sobrevivência e disso depende sua salvação.

"Canções..." tem urgência, é presença. A pegada suada e dançante, sem respiro, vem acompanhada de narrações cotidianas de sambadas e rodas antigas. A cozinha roqueira (e aqui entram os teclados e guitarras que grudam no ouvido) são o fogo na panela de pressão.

As referências sobre o tempo, temporal e tempestades não são ao acaso no álbum. É preciso estar nas trincheiras, prender a respiração e descer na contramão. A água te penteia, o vento te dobra e o chão te segura. Ali se vê que a "Mata" tem significados mais fortes e libidinosos do que o primeiro olhar nos mostra. A Mata tem projeto precário, ela invade e não faz reféns. Mas em "Canções..." a cidade parece ter o mesmo comportamento caótico e impulsivo.

Em "São Paulo existe São", terceira do álbum, aparece assim sorrateira uma quase vinheta de comercial na vitrine das Casas Bahia e tudo aquilo que queremos acreditar, mais pra lá de ser a cidade como matéria prima, é a cidade como fio condutor e tênue equilíbrio.

Mas "Canções..." não é um álbum paulistano de coração, é um filhote bastardo que retorna de andanças e moléstias. Seus membros, tronco e cabeça estão andando por aí mancando, tropicando e suando como caiçaras, candangos, ribeirinhos e neguinhos do Pelô. É assim que se dança. Aqui encontramos referências ao Brega de Felipe Cordeiro, as aparelhagens do Norte, aos carnavais toscos e noitadas de boteco de Boiçucanga, a tal praia de nudismo. Se enxergam as cores, as cachaças, as piadas com trocadilhos que dão forma e conteúdo pra "Canções...".

Mas tudo se passa com "Canções..." como reencenação do doloroso processo de urbanização dos últimos 60 anos no Brasil, os processos de choque da modernidade do concreto das "São Paulos", do chegar ao futuro, da quebra da tradição, da não adaptação, protestos e punks. E por isso entram Itamar Assunção, Tom Zé e Kiko Dinucci, que estão ali presentes de corpo e alma, nas repetições e nos compassos e nas orações e nos fraseados cortantes despretensiosos que criam um ambiente cotidiano pacato e extraordinário ao mesmo tempo. Cotidiano como fuga do passar do tempo, como círculo e seus retornos. Seguimos perseguindo São São Paulo.

"Canções..." é este caminho tortuoso de amadurecimento de uma banda que respirou ar puro, tomou muito banho de mar, aprendeu rimas com os antigos, contudo é na tênue possibilidade dos relances e esbarrões urbanos, na respiração ansiosa e forçada onde se forjaram este conjunto de canções.

Dance. Perca o ar. Não perca o chão.

 

*Release escrito por Diogo Soares - diogosp@gmail.com


Projeto da Mata agradece.

Jah Bless!